
portfolio
ROBERTO ULHOA
2026

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Linha d'água. 60x45x35cm. Óleo sobre papel. 2025

A constituição. 60x65cm, Óleo e acrilica sobre papel.2014


Vazante, 55x31,5cm, Téc. mista sobre papel. 2024

Fio. 60x65cm, Óleo, acrilica e grafite sobre papel. 2016

Formigamento ornamental, 60x65cm, Aquarela, acrilica e grafite s/ papel.2014

Irremediável. 60x65cm,Téc. mista sobre papel.2024

Emergência e exagero, 60x65cm,Téc. mista sobre papel. 2015

Cabo de guerra. 65x60cm, Téc. mista sobre papel. 2024

Livros de cabeceira e imãs de geladeira , 60x65cm, Téc. mista sobre papel. 2024

Reserva. 60x65cm,Téc. mista sobre papel. 2025

Carranca. 60x65cm, óleo sobre papel. 2025

Hiato e desenvolvimento . 60x65cm, Óleo sobre papel. 2016

Gene deletério, 60x65cm, Téc. mista sobre papel. 2024

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Ad nauseam, 60x65cm, Téc. mista sobre papel. 2016


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Regozijo. 55x31,5cm. Téc. mista sobre papel. 2024

Reflexos de Babinski. 60x65cm, Óleo sobre papel. 2026
Formigamento ornamental
Passadas leves trilham um indiscreto caminho por baixo da pele. Um imediato estranhamento gera o calafrio. O calafrio dá vazão
a um lento dilatar. O dilatar então irrompe. Perdem-se os contornos. O rígido agora é mole, o centro se muda para os lados, o plano
é topográfico. Perde-se também a matéria da confiança, uma fragilidade se instaura como estrutura. Há de se descobrir novas formas
de sustentação no mundo.
Falamos da trajetória de uma sensibilidade alterada. Os trabalhos de Roberto Ulhoa são desejos - a princípio, necessidades - de tradução.
O difuso interior se desvela sem se fixar, resistindo às estabilizações. Um novo corpo busca se erguer, composto por partes, restos, cascas
de outras peles. Quatro pontas são quatro orientações, posturas e possibilidades. Quatro pontas são quatro patas, apoiadas como bichos, expostas à vulnerabilidade de sua própria natureza. Não se pode e nem se quer mais ser contido.
“O movimento elimina o frio1” - assim se exercita em direção à conquista de algum conforto, ainda que outro, ainda que precário.
Um grande esforço é desempenhado para atravessar a volatilidade, confrontar a dureza exige sacrifício. Este dispêndio, martírio, se traduz
no símbolo da cruz formado pelos trabalhos. Mas estas são cruzes que se deitam, se equilibram e se torcem em terreno incerto. Suas imagens encarnam o desastre2 como paisagem, formando cenários de deslocamento e desorganização em que a impotência é exposta como víscera.
Aparições históricas e políticas revelam sistematizações maiores. Cenas estranhamente familiares, de alguma forma presentes no inconsciente coletivo, mapeiam ideias acerca da saúde e da sanidade. Nos estandartes que se levantam, lemos uma trajetória de institucionalização dos corpos desviantes. A lida com estes outros órgãos é também tomada pelo rigor e o desarme.
O formigamento se dá no campo da presença - da experiência direta e imediata. O campo do sentido o traduz em ornamento.
No trabalho de Roberto Ulhoa, a presença é o sentido. O formigamento é ornamental.
Bia Coslovsky
2 Blanchot, A Escritura do Desastre
1 Arnaldo Antunes, Pra não falar mal





























































