top of page

_

Linha d'água. 60x45x35cm. Óleo sobre papel. 2025

IMG_1435.JPG

A constituição60x65cm, Óleo e acrilica sobre papel.2014

vazante copy.jpg

Vazante55x31,5cm, Téc. mista sobre papel. 2024

IMG_1384.JPG

Fio. 60x65cm, Óleo, acrilica e grafite sobre papel. 2016

formiga e verso 2 copy 2.jpg

Formigamento ornamental, 60x65cm, Aquarela, acrilica e grafite s/ papel.2014

poe.jpg

Irremediável. 60x65cm,Téc. mista sobre papel.2024

emergencia.JPG

Emergência e exagero, 60x65cm,Téc. mista sobre  papel. 2015

IMG_1389.JPG

Cabo de guerra. 65x60cm, Téc. mista sobre papel. 2024

vgogh copy.jpg

Livros de cabeceira  e imãs de geladeira , 60x65cm, Téc. mista sobre papel. 2024

IMG_1378.JPG

Reserva. 60x65cm,Téc. mista sobre papel. 2025

carranca.jpg

Carranca. 60x65cm, óleo sobre papel. 2025

hiato.jpg

Hiato e desenvolvimento . 60x65cm, Óleo sobre papel. 2016

IMG_1410.JPG

Gene deletério, 60x65cm, Téc. mista sobre papel. 2024

IMG_1414.JPG

_

Ad nauseam, 60x65cm, Téc. mista sobre papel. 2016

IMG_6453.JPG
IMG_5793 (1)_edited.jpg

_

Regozijo. 55x31,5cm. Téc. mista sobre papel. 2024

babinski.jpg

Reflexos de Babinski. 60x65cm, Óleo sobre papel. 2026

Formigamento ornamental

Passadas leves trilham um indiscreto caminho por baixo da pele. Um imediato estranhamento gera o calafrio. O calafrio dá vazão

a um lento dilatar. O dilatar então irrompe. Perdem-se os contornos. O rígido agora é mole, o centro se muda para os lados, o plano

é topográfico. Perde-se também a matéria da confiança, uma fragilidade se instaura como estrutura. Há de se descobrir novas formas

de sustentação  no mundo.


Falamos da trajetória de uma sensibilidade alterada. Os trabalhos de Roberto Ulhoa são desejos - a princípio, necessidades - de tradução.

O difuso interior se desvela sem se fixar, resistindo às estabilizações. Um novo corpo busca se erguer, composto por partes, restos, cascas

de outras peles. Quatro pontas são quatro orientações, posturas e possibilidades. Quatro pontas são quatro patas, apoiadas como bichos, expostas à vulnerabilidade de sua própria natureza. Não se pode e nem se quer mais ser contido.
 

“O movimento elimina o frio1” - assim se exercita em direção à conquista de algum conforto, ainda que outro, ainda que precário.

Um grande esforço é desempenhado para atravessar a volatilidade, confrontar a dureza exige sacrifício. Este dispêndio, martírio, se traduz

no símbolo da cruz formado pelos trabalhos. Mas estas são cruzes que se deitam, se equilibram e se torcem em terreno incerto. Suas imagens encarnam o desastre2 como paisagem, formando cenários de deslocamento e desorganização em que a impotência é exposta como víscera.
 

Aparições históricas e políticas revelam sistematizações maiores. Cenas estranhamente familiares, de alguma forma presentes no inconsciente coletivo, mapeiam ideias acerca da saúde e da sanidade. Nos estandartes que se levantam, lemos uma trajetória de institucionalização dos corpos desviantes. A lida com estes outros órgãos é também tomada pelo rigor e o desarme.
O formigamento se dá no campo da presença - da experiência direta e imediata. O campo do sentido o traduz em ornamento.

No trabalho de Roberto Ulhoa, a presença é o sentido. O formigamento é ornamental.

Bia Coslovsky

2 Blanchot, A Escritura do Desastre

1 Arnaldo Antunes, Pra não falar mal

bottom of page